Nesta 6ª coletânea, o projeto Nova Coletânea oportuniza o encontro de autores consagrados pela crítica especializada e, ao mesmo tempo, iniciantes engajados na arte do verso. Todos com o objetivo de homenagear o grande poeta brasileiro Affonso Romano. Além da participação da crítica Olga Valeska, convidados especiais como os autores Paulo Bentancur, José Aloise Bahia, Rubens Jardim, Eduardo Tornaghi, Gabriel Nascente, Cairo Trindade, Adroaldo Bauer, José Inácio Vieira de Melo, Reynaldo Bessa, Nydia Bonetti, Márcia Maranhão, Suely Ribella, Cláudia Gonçalves entre tantos outros. Aproveite o leitor para conhecer essas feras!www.perse.com.br
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Levanta que o Jogo é de Várzea
Várzea é isso.
Uma campina aberta de terrão vermelho, um sol castigando o lombo, uma bola, um objetivo e vinte e dois fulanos entregando a vida por este objetivo.
Nem sempre é sol.
As vezes chove como nos dias de Noé e os vinte e dois fulanos parecem caranguejos aterrados no mangue. É o instinto que diz quem tá no time de quem.
É a vida meu amigo, é a vida.
Ninguém vai sentir dózinha de ti. Ninguém liga se tu não tomou café da manhã, se teu chefe te dá nas bolas ou se tua mulher se atraca com outro bigodudo...
Aqui o que interessa é fazer gol.
Foi falta! Se o juiz não apitou segue o jogo. Não foi falta! Se o juiz apitou, cobra e segue o jogo. De todo jeito o jogo segue. Aqui não se discute justiça, se discute futebol.
E o que é futebol? É a vida.
Confesso que de vez em quando se leva uma entrada desleal, maldosa, que poderia quebrar as pernas...
Mas não quebrou. Doeu! Pra cara...
Mas não quebrou.
Então meu camarada, não chora não, levanta que o jogo é de várzea.
E segue o jogo.
Helton Fesan
sábado, 22 de setembro de 2012
SORRISO FALSO, BRONCA SINCERA.
Dias atrás estava eu com um amigo dos tempos de colégio
relembrando astúcias e traquinagens. Falamos também sobre educação e como a
vida nos levou aos nossos destinos profissionais.
Na conversa surgiu um pensamento válido que compartilho com
vocês:
Nem sempre quem lhe é amável lhe é amigo.
Quase sempre quem lhe é
duro na cobrança lhe esta fazendo o bem.
Chegamos a esta conclusão pois nos recordamos de professores
duros que nos ensinaram muito. E lembramos também daquele professor gente boa,
brincalhão e piadista que, ou nada ensinava pra ninguém e tocava a vida como se
a matéria não existisse, ou, surpreendentemente, nada ensinava e na hora da
prova cobrava tudo que não ensinou e ferrava todo mundo.
Compartilho isso em momento oportuno em que as ruas estão
repletas de “gente boa e carinhosa” buscando ganhar nossa amizade.
E nós, eternos carentes, solitários em nosso próprio ser,
precisamos do sorriso afável e tapinha nas costas que nos é oferecido.
Precisamos de alguém que diga que conhece nossos problemas,
que entende nossa situação.
É o professor boa praça nos oferecendo carinho.
Caros, pensem bem no que é carinho de verdade.
Carinho é fazer o que deve ser feito mesmo que de maneira
dura para lhe garantir um futuro digno.
Carinho é o socorro na hora precisa e a bronca merecida.
Este texto é simples e não necessita de alongamentos e
cortesias. Não vou rasgar seda com meus leitores.
A mensagem é clara: Não de o seu afeto sincero a falsos
sorrisos.
Valorize quem trabalha duro, mesmo que de maneira dura, esta
pessoa provavelmente esta lhe fazendo um carinho.
Helton Fesan
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
SÃO PAULO E O POVO QUE DEVORA A NOITE
Em qualquer lugar paulista é “O paulista”.
O cara estranho meio sem ginga.
Dá aquela impressão de CDF, de deslocado, tipinho meio Caxias que anda arrumadinho só pensa em dinheiro e não sabe se divertir.
É o cara de Sampa, o Paulista.
Mas é só aumentar o som que o cara folga a gravata, a mina pede outra “breja” e devagarinho se soltam na noite sem terror nem pudor.
Paulista devora a noite.
Paulista é lobo que não disfarça, é revolução sem pausa, é louco que não rasga dinheiro.
Ninguém conhece mais de noite do que o Paulista.
É que a cidade na maior parte do tempo é cinza.
Longa e fria a garoa garante que permaneçamos dentro de algum lugar, de alguma coisa ou de alguém.
Paulista devora a noite.
Em Floripa, Madrid, na Bahia, New York, São Paulo não sai de dentro de nós.
Nosso clã aumenta com nascidos e agregados, eleitos e empossados.
Não é a fala, nem a cara que nos define.
É a gana, a fome do fazer.
Dor, Paulista absorve. Problema, Paulista resolve.
É assim porque devoramos a noite.
Deixa a beleza pra quem vai, pra quem fica: o trabalho.
Nós, o povo de Sampa, somos o exótico e vemos beleza em coisas esquisitas, em gente diferente, na tez do outro.
Acende a luz e baixa o dimmer.
Anjos e fadas nos deixarão pela manhã.
O mundo observa enquanto devoramos a noite.
Helton Fesan
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
EXCELENTÍSSIMOS SENHORES
Excelentíssimos Senhores
Com a cabeça cheia como são as cabeças cheias de idéias fareja no computador o fio de idéia, a faísca de genialidade que lhe dê o resultado de vitória para o duvidoso.
Não tem certeza do ganho, das flores e sabe que não terá aplausos, mas não consegue desligar-se da presa.
“Por amor ao debate”.
Esta expressão tantas vezes usada, tantas vezes escrita em iniciais e contestações lhe acende os sentidos de animal de fórum, de gladiador de causas e agora em frente ao papel digital oferecido pelo Word tenta responder a provocação do colega de OAB que nem conhecia e que nunca tinha visto, mas, que sabia que igual a ele era um animal de fórum, um gladiador de idéias, um amante do debate.
“SÍNTESE”
Diminuta.
Flecha que viaja por traz dos montes.
Certeira.
Pensada e lançada pensando o longe.
“DOS FATOS”.
A história é contada por quem venceu a guerra e antes mesmo do ecoar da trombeta o vencedor já deixa escapar a sombra do sorriso. Conta nas linhas retas os fatos tortos trazidas pelo cliente incerto a história exata da verdade, pintando o quadro como artista que entende de seu ofício, jogando com luzes, cores e temperaturas para obter a imagem que melhor lhe convém.
“DO DIREITO”
Ao que pese os olhos cansados de letras, os ouvidos viciados em sermões, a sagacidade e os ensinamentos de doutrinadores e doutrinados, chega o momento ansiado.
As espadas esgrimam e o combatente mostra seu valor ao honrar a causa, a justiça e o adversário que, como ele, ama o som do metal encontrando-se no ar e ecoando no tempo sem fim.
“DO PEDIDO”
Golpe de razão na barriga do verdadeiro algoz que são os dissabores da lida.
Clamor de humildade por justiça e pelo justo ganho do patrono.
Devolução ao justo do bem da vida em forma de pedido.
Dá à arena os cumprimentos de praxe.
Excelentíssimos Senhores sem certeza dos honorários, das flores e sem aplausos.
Data e assina teu mister.
Advogado, um forte.
Esta expressão tantas vezes usada, tantas vezes escrita em iniciais e contestações lhe acende os sentidos de animal de fórum, de gladiador de causas e agora em frente ao papel digital oferecido pelo Word tenta responder a provocação do colega de OAB que nem conhecia e que nunca tinha visto, mas, que sabia que igual a ele era um animal de fórum, um gladiador de idéias, um amante do debate.
“SÍNTESE”
Diminuta.
Flecha que viaja por traz dos montes.
Certeira.
Pensada e lançada pensando o longe.
“DOS FATOS”.
A história é contada por quem venceu a guerra e antes mesmo do ecoar da trombeta o vencedor já deixa escapar a sombra do sorriso. Conta nas linhas retas os fatos tortos trazidas pelo cliente incerto a história exata da verdade, pintando o quadro como artista que entende de seu ofício, jogando com luzes, cores e temperaturas para obter a imagem que melhor lhe convém.
“DO DIREITO”
Ao que pese os olhos cansados de letras, os ouvidos viciados em sermões, a sagacidade e os ensinamentos de doutrinadores e doutrinados, chega o momento ansiado.
As espadas esgrimam e o combatente mostra seu valor ao honrar a causa, a justiça e o adversário que, como ele, ama o som do metal encontrando-se no ar e ecoando no tempo sem fim.
“DO PEDIDO”
Golpe de razão na barriga do verdadeiro algoz que são os dissabores da lida.
Clamor de humildade por justiça e pelo justo ganho do patrono.
Devolução ao justo do bem da vida em forma de pedido.
Dá à arena os cumprimentos de praxe.
Excelentíssimos Senhores sem certeza dos honorários, das flores e sem aplausos.
Data e assina teu mister.
Advogado, um forte.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
NO FIM DO DIA
No fim do dia, quando cair a tarde procure um bar humilde, freqüentado por pessoas humildes. De preferência ao balcão onde cada mundo disputa seu espaço ombro a ombro.
Peça cerveja
Não importa seu ranço calvinista que exige moderação com o álcool no meio da semana, nem seu narcisismo obcecado em livrar-se da barriga, não importa.
Guarde o whisky para encontros musicais com a turma da esquina e o vinho para o romance inventado com cara de reconciliação.
Nesta boca de noite, sente-se na roda dos comuns e aja com decência, peça cerveja.
Hei a bebida dos humildes desde que se colhe o trigo e que se separa do trigo o pobre e desprezado joio.
Com a caneca de cerveja na mão e o cotovelo no balcão para sustentar o tal do mundo que pesa nos ombros, observe ao redor os que te acompanham anonimamente neste brinde calado e solitário.
Veja que há em cada um a vontade reflexiva de se encontrar em si mesmo, mesmo que para isto se deva falar com o outro.
Ninguém ali ganhou um Nobel, ou inventou qualquer remédio, mesmo que seja para curar cansaço que este todos sabemos que o remédio quem nos deu foi o criador.
São poetas de obras e calos, oradores de verdades de si, cancioneiros de pé de rádio. São gente como eu sou, como tu o é.
Não importa o terno ou a gravata ou a armadura com motor que te levará a tua casa no final do dia. Nada disto pode esconder ou disfarçar a pele e osso de que todas as pulgas como nós são feitas.
A verdade é que no balcão todos esperam para ser servidos e todos sabem que pagarão pelo trago do final do dia. Somos companheiros de Jó e com ele estávamos quando fundaram e inventaram o mundo.
Por isso, senta-te no balcão e pede tua cerveja como todos os simples para lembrar-te de quem é e do que não é.
Brinda calado com teus iguais.
Helton Fesan
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Entrevisa Conexão - Afrodescendentes
Não tinha visto a entrevista ainda, achei legal.
Agradeço a competência e a simpatia de toda a equipe do Conexão bem como a elegância e bom humor da entrevistadora Nadia Nicolau.
Agradeço a competência e a simpatia de toda a equipe do Conexão bem como a elegância e bom humor da entrevistadora Nadia Nicolau.
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