domingo, 10 de janeiro de 2016

DIREITO DE MORRER EM PAZ

Referente a este post no qual fui marcado, darei uma opinião técnica legal.
O caso não é incomum nem será o último.
Como enterrar meu ente querido, meu filho de santo, meu irmão da igreja, ou consorte de qualquer espécie ou culto, respeitando suas crenças e vontades decididas em vida?
Resolvi escrever mais detalhadamente sobre isto pois, me perguntam tanto e são tantos os absurdos que no assunto cabe um pouco mais de atenção.
Envolve o Direito Individual de Manifestação de Ultima Vontade, a Liberdade de Culto Religioso,  Direito Funerário e Direito Sanitário, Os últimos ambos pertencentes ao Direito Público.
Vou usar o vídeo que me enviaram no face para ilustrar e daí tentar dar algumas explicações no intuito apenas de ajudar.
Primeiramente, é bom entender que não temos uma lei federal que de conta de uniformizar os serviços funerários. Em regra contamos com leis municipais e estaduais as quais devem ser analisadas em cada caso e em cada local.
Isto dificulta o entendimento, o diálogo e por vezes, torna o momento que já é difícil em um verdadeiro desastre.
No vídeo, pelo que entendi, os irmãos de santo do de cujus, tentavam promover a cerimonia fúnebre no local de preparação do corpo.
A falta de conhecimento das pessoas que ali tentavam fazer valer um direito somados a falta de tato e antipatia da dona do local e ainda a desastrosa e descabida afirmação de que “era evangélica” transformou uma situação simples em cabo de guerra descabido e desnecessário.
Primeiramente, e infelizmente para os entes do de cujos, a dona do estabelecimento tinha razão em negar-lhes acesso, pois, como dito, ali era o local de preparação do corpo, um TANATÓRIO.
A TANATOPRAXIA, é o procedimento de preparação do cadáver para o velório ou funeral, visa deixar o corpo em condições aceitáveis para o velório ou funeral (conservação, odores, aspecto...).
O procedimento é feito por técnicos e deve atender a regras sanitárias pré-estabelecidas e realmente o local NÃO PODE SER ACESSADO PELOS FAMILIARES.
Veja que a responsável dá a opção de uma pessoas entrar para levar roupas e vestimentas que serão usadas pelo de cujus.
Então, qual o momento para se proceder os ritos fúnebres de cada religião?
Ao meu ver, após a preparação do corpo e, de preferência no velório ou funeral.
Se há ritos muito específicos e demorados, isto deve ser avisado na FUNERÁRIA, ou no TANATO para que se prepare o corpo adequadamente.
Se o velório for feito em residência ou templo, deverá ser pago o translado do corpo e dos acessórios (enfeites, flores, artefatos religiosos) para o local.
Feito isto, a família poderá realizar todos os rituais que achar necessário.
Outro item a se observar é a manifestação de última vontade. Ocorre muito do De Cujos, nunca ter se pronunciado oficialmente sobre qual deveria ser o rito de seu funeral.
Ele pode ter frequentado por toda a vida uma religião e todos os seus familiares serem de outra religião, na hora da morte está feita a confusão, pois os familiares, muitas vezes inimigos da religião professada pelo falecido, impedem os ritos fúnebres da outra religião.
O ideal é que se deixe um TESTAMENTO, sendo o TESTAMENTEIRO o responsável por estas decisões. Se não houver, o responsáveis por esta decisão serão os descendentes.
Para não me estender, quero terminar com duas observações.
A primeira é sobre a cultura que nós brasileiros temos em não falar da morte, e, consequentemente, não nos prepararmos para ela. Como se fosse um mau agouro pensar nisto.
A morte é consequência da vida, se quisermos um último momento de acordo, temos sim que nos preparar, o que envolve tempo, disposição e dinheiro e isto é sério. Já vi pessoas muito boas terem finais muito melancólicos por falta de preparo prévio. A família sem condições, disputas de inventários, falta de respeito à última vontade e etc...
É triste mas é comum.
A segunda é a falta de costume, aí falo das entidades religiosas, de serem assessoradas e de assessorarem seus membros a respeito de aspectos jurídicos que envolvem a religião.
É uma negligencia infelizmente comum. Consultar um profissional jurídico, regularizar sua casa de santo, sua igreja ou qualquer outra entidade, promover palestras e cursos sobre temas atuais é fundamental para o crescimento e respeito da própria entidade.
De nada adianta reclamar se não há mudança de cultura e evolução do ser humano.
Acredito que há três momentos que definem bem as pessoas, dois obrigatórios, um opcional. Sobre dois temos controle e um não, a saber, O nascimento, o casamento e o funeral.
Pensemos e melhoremos.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

MEDO DE PROCESSO


Troca de mercadoria por serviços Escambo


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

HELTON FESAN NO CUMPLICIDADE DAS LETRAS

Enquanto o livro solo não vem, vamos em boas coletaneas...

Nesta 6ª coletânea, o projeto Nova Coletânea oportuniza o encontro de autores consagrados pela crítica especializada e, ao mesmo tempo, iniciantes engajados na arte do verso. Todos com o objetivo de homenagear o grande poeta brasileiro Affonso Romano. Além da participação da crítica Olga Valeska, convidados especiais como os autores Paulo Bentancur, José Aloise Bahia, Rubens Jardim, Eduardo Tornaghi, Gabriel Nascente, Cairo Trindade, Adroaldo Bauer, José Inácio Vieira de Melo, Reynaldo Bessa, Nydia Bonetti, Márcia Maranhão, Suely Ribella, Cláudia Gonçalves entre tantos outros. Aproveite o leitor para conhecer essas feras!www.perse.com.br

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Levanta que o Jogo é de Várzea



A garganta seca, o peito estourando, o suor escorrendo pela testa e ardendo nos olhos.
Várzea é isso.
Uma campina aberta de terrão vermelho, um sol castigando o lombo, uma bola, um objetivo e vinte e dois fulanos entregando a vida por este objetivo.
Nem sempre é sol.
As vezes chove como nos dias de Noé e os vinte e dois fulanos parecem caranguejos aterrados no mangue. É o instinto que diz quem tá no time de quem.
 É a vida meu amigo, é a vida.
Ninguém vai sentir dózinha de ti. Ninguém liga se tu não tomou café da manhã, se teu chefe te dá nas bolas ou se tua mulher se atraca com outro bigodudo...
Aqui o que interessa é fazer gol.
Foi falta! Se o juiz não apitou segue o jogo. Não foi falta! Se o juiz apitou, cobra e segue o jogo. De todo jeito o jogo segue. Aqui não se discute justiça, se discute futebol.
E o que é futebol?  É a vida.
Confesso que de vez em quando se leva uma entrada desleal, maldosa, que poderia quebrar as pernas...
Mas não quebrou. Doeu! Pra cara...
Mas não quebrou.
Então meu camarada, não chora não, levanta que o jogo é de várzea.
E segue o jogo.

Helton Fesan

sábado, 22 de setembro de 2012

SORRISO FALSO, BRONCA SINCERA.


Dias atrás estava eu com um amigo dos tempos de colégio relembrando astúcias e traquinagens. Falamos também sobre educação e como a vida nos levou aos nossos destinos profissionais.

Na conversa surgiu um pensamento válido que compartilho com vocês:

 Nem sempre quem lhe é amável lhe é amigo.

Quase sempre quem lhe é duro na cobrança lhe esta fazendo o bem.

Chegamos a esta conclusão pois nos recordamos de professores duros que nos ensinaram muito. E lembramos também daquele professor gente boa, brincalhão e piadista que, ou nada ensinava pra ninguém e tocava a vida como se a matéria não existisse, ou, surpreendentemente, nada ensinava e na hora da prova cobrava tudo que não ensinou e ferrava todo mundo.

Compartilho isso em momento oportuno em que as ruas estão repletas de “gente boa e carinhosa” buscando ganhar nossa amizade.

E nós, eternos carentes, solitários em nosso próprio ser, precisamos do sorriso afável e tapinha nas costas que nos é oferecido.

Precisamos de alguém que diga que conhece nossos problemas, que entende nossa situação.

É o professor boa praça nos oferecendo carinho.

Caros, pensem bem no que é carinho de verdade.

Carinho é fazer o que deve ser feito mesmo que de maneira dura para lhe garantir um futuro digno.

Carinho é o socorro na hora precisa e a bronca merecida.

Este texto é simples e não necessita de alongamentos e cortesias. Não vou rasgar seda com meus leitores.

A mensagem é clara: Não de o seu afeto sincero a falsos sorrisos.

Valorize quem trabalha duro, mesmo que de maneira dura, esta pessoa provavelmente esta lhe fazendo um carinho.

 

Helton Fesan

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

SÃO PAULO E O POVO QUE DEVORA A NOITE

Em qualquer lugar paulista é “O paulista”.

O cara estranho meio sem ginga.

Dá aquela impressão de CDF, de deslocado, tipinho meio Caxias que anda arrumadinho só pensa em dinheiro e não sabe se divertir.

É o cara de Sampa, o Paulista.

A mina de Sampa vai na mesma esteira, tipo entojadinha.

Mas é só aumentar o som que o cara folga a gravata, a mina pede outra “breja” e devagarinho se soltam na noite sem terror nem pudor.

Paulista devora a noite.

Paulista é lobo que não disfarça, é revolução sem pausa, é louco que não rasga dinheiro.

Hip Hop crú. Rock and Roll porrado na veia...

Ninguém conhece mais de noite do que o Paulista.

É que a cidade na maior parte do tempo é cinza.

Longa e fria a garoa garante que permaneçamos dentro de algum lugar, de alguma coisa ou de alguém.

Paulista devora a noite.

Vampiros urbanos, não temos tempo para elogio rasga seda.

Me odeie, tudo bem, mas beija minha boca porque preciso de sangue quente.

Em Floripa, Madrid, na Bahia, New York, São Paulo não sai de dentro de nós.

Nosso clã aumenta com nascidos e agregados, eleitos e empossados.

Não é a fala, nem a cara que nos define.

É a gana, a fome do fazer.

Dor, Paulista absorve. Problema, Paulista resolve.

É assim porque devoramos a noite.

Deixa a beleza pra quem vai, pra quem fica: o trabalho.

Nós, o povo de Sampa, somos o exótico e vemos beleza em coisas esquisitas, em gente diferente, na tez do outro.

Acende a luz e baixa o dimmer.

Anjos e fadas nos deixarão pela manhã.

O mundo observa enquanto devoramos a noite.

Helton Fesan