sexta-feira, 20 de julho de 2018

É um avião? Não, é a Depressão...

 Se você está lendo este artigo é porque já estou melhor.
É dificil falar sobre mas acho que pode ajudar outros.
Não é uma tristeza, nem uma melancolia ou chateação.
Na tentativa de descrever a depressão, tenho que, pelo menos pra mim, é uma Paralização Diante do que Antes era Normal. (eu criei o termo PADIAN rs)
Seu corpo simplesmente não responde. Sua mente fica em suspense como computador que trava.
Se você é sociável, de repente perde a vontade de ver ou se reunir com as pessoas.
O que antes lhe dava prazer e estava na sua rotina, para de fazer sentido.
Vejo o mundo, entendo o mundo com clareza, mas não me motivo em participar dele.
No trabalho a coisa piora pois começamos a postergar trabalhos simples.
Paralisamos na frente da tela em branco do computador.
Outro sintoma é não querer falar com clientes e colegas.
As coisas se acumulam e você tem a solução para todas elas, porém, simplesmente não as toma.
A depressão é uma enfermidade que afeta o agir.
O carro se aproxima e você não liga de ser atropelado. Falta aquela substância que diz pra mente: F... faz alguma coisa!
Quando garoto, ouvi a celebre frase da filosofia universal: "Existe um abismo entre ação e pensamento".
Talvez a depressão seja estar no lado do pensamento e não ter vontade de ultrapassar o abismo para encontrar a ação.
Mas não há vida sem ação, e aí está o perigo silencioso desta enfermidade.
O ultimo sintoma que irei citar aqui é o isolamento.
Um sentimento de "não quero incomodar", "ninguém tem nada a ver com isso", "é algo pessoal"...
Estamos em uma sociedade cética, cada vez mais longe do sentido de RELIGARE.
Deus, ainda é o conceito mais extraordinário da humanidade.
Nele aprendemos que estamos todos conectados como irmãos.
Então, se está acontecendo comigo, também está acontecendo com meu irmão.
Não se isole.
Fale, grite. Encha o saco de paciência dos seus, pois eles estão aqui pra isso.
Se você está lendo este texto, é porque estou melhor ao ponto de conseguir escreve-lo e não apagá-lo como fiz em outras incontáveis vezes.
Se está lendo, talvez precise falar sobre o assunto.
Então estamos juntos e juntos vamos reconstruir a ponte deste abismo.
O mundo não voltará a ser colorido como nos tempos em que bastava a capa para voar, mas pelo menos estaremos aqui,  juntos perguntando: é um pássaro? é um avião?
Não sei o que é, mas que bom estarmos olhando juntos...

*Dr Helton Fesan*

sábado, 7 de julho de 2018

Mitologia Contemporânea Brasileira

Mitologia Contemporânea Brasileira

Ok, Não fomos campeões.
Mas agradeço profundamente à seleção  brasileira por me permitir a alegria de torcer, de esquecer meus problemas durante os noventa minutos de jogo.
Futebol é esporte e mitologia que serve como símbolo para as vidas que o acompanham.
É entretenimento e boa desculpa para estar com amigos, com a família. Aliás, um time é uma família. E quantas vezes dizemos que nossa família é um time.
Pasmo com a hipocrisia daqueles que se deleitam com outros mitos (heróis, novelas e cultos...) mas criticam o futebol como mitologia menor, pois é  simples o pecado deste esporte, o de ser acessível, o de mover as massas.
De minha parte, só tenho a agradecer ao futebol e a nossa seleção.
Ouso ainda defender aquele que foi e é o maior embaixador de nossa brasilidade no mundo, o Rei Pelé.
Rei do campo, lógico. Rei de si mesmo também, pois entendeu quando seu nome se tornou um mito, e que sem mitos a humanidade não evolui.
Nossa seleção, Pelé e todos os nossos craques e técnicos formam a genuína mitologia contemporânea brasileira.
Nela nosso povo se inspira, se avalia e se recria.
Assiste a ascensão e queda de grupos e indivíduos mágicos, acima das vicissitudes do cotidiano, pois, ungidos pela adoração da fantasia, sabemo que são personagens do efêmero.
Quem critica uma mitologia não está sendo apenas chato e inconveniente, também comete a gafe de ser um completo ignorante, no pior sentido de não saber.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

TORCER é treinar a FÉ

Torcer é Treinar a Fé

Sentado com um pano de prato na mão, no mesmo sofá com o terço na parede, a padroeira ao fundo e a bandeira do Brasil na parede, Joaquim assiste a Lusa na final de 96.
Foi assim em 52 e a cena se repete, ano a ano a cada jogo importante.
A cada lance torce o pano como quem pode mudar o percurso da bola.
É um pequeno ato de fé. Torcer o pano e acreditar que isto vai desviar a bola.
O pano é o talismã, a repetição da cena é o ritual.
Quando torcemos alimentamos a alma de amor, de esperança e de fé.
Torcer é treinar a Fé.
Como tigres brincam com filhotes para ensiná-los a caçar, nós torcemos para treinar a fé.
Sabemos que, quando adultos, em muitos momentos tudo que nos restará é acreditar cegamente.
Acreditar no que não podemos provar, no que não se pode ver, no que ainda está por vir...
Essa é uma das pequenas sutilezas que nos fazem humanos, a capacidade de manipular a crença, de atribuir valor positivo ao fato futuro e diante de várias possibilidades, escolhemos acreditar em uma e tentamos atrair esse resultado com a força da mente. Então torcemos.
Um terço, um santinho, um copo d'água, velas de todos os tamanhos e cores, uma camisa, ou melhor, sempre a mesma camisa...
A beleza de ter Fé é que só humanos a tem.
Tenha fé, e nós, humanos, estaremos sempre na torcida.

Helton Fesan, escritor, advogado e torcedor.

terça-feira, 29 de maio de 2018

TÁ TIRANDO?

Não amigos, esse governo não está tirando, tá pondo.
Imagine que você tem um comércio de garagem, sei lá, um estacionamento pequeno em que trabalha você e um manobrista. O manobrista, em vespera de dia de pico, chega até você e diz: Sua diária não compensa, ou aumenta ou paro.

Você, eu e qualquer pessoa comum fará em poucos minutos a conta básica - "Se ele parar vou perder o movimento dos próximos dias até conseguir outro manobrista.
Também não posso arrumar confusão com esse cara agora pois se ele entrar com processo trabalhista vai ficar mais caro..."

Pensando nisso tudo, você irá propor um bom ajuste para seu manobrista e começará a pensar no plano B para não ficar refém dele.

Tudo isso se você não for o Governo Brasileiro diante de Caminhoneiros.

Se você for o Governo, estará muito acomodado com benefícios, mordomias, jatinhos, negociatas, palácios, mesadinhas...
Isto tudo te deixará arrogante e cego e fará você ignorar o óbvio, O PAÍS DEPENDE DESSES CARAS.

Mas você, Governo, não pensa no país, você pensa em cumprir todas as metas dos investidores internacionais para no fim do mandato ser nomeado aspone de qualquer coisa com foro privilegiado e não ser preso.

Daí dá no que deu e já estamos no dia nove de caos...

Mas o Governo tem seus aliados, a mídia "Livre" (livre de pagar impostos e de ser investigada) Faz matérias diárias mostrando como os malvados caminhoneiros grevistas estão atrapalhando os hospitais...

Esses malvados e irresponsável se recusam a trabalhar como escravos em nome do Brasil sil sil... zil?

Ai estou eu assistindo a Globo News e vejo os fabulosos números: "Este acordo custará 13 bilhões este ano e faltam 2 bilhões em impostos que não se sabe como repor..."

Inevitável lembrar que Brasília gasta 250 milhões por ano só de auxílio paletó...

Mas a reportagem continua dando o valor do prejuízo que a Petrobrás já teve nestes nove dias, 126 bilhões!

Peraí, sério que ao invés de abrir mão de atarrachar os caminhoneiros em 13 vocês escolheram tomar um preju de 130 ?

Fiquei pensando em todos os filmes inúteis e exposições de arte duvidosa que nunca passou no cinema ou na tevê para o povão  apreciar que a Petrobrás patrocinou...

Para executivos de alto nível esses caras não estão servindo nem pra vender alho no farol...

Deixe-me pensar: Será que não dá pra aumentar a gasolina de nossos hermanos para segurar os preços internos? Claro que não, porque lá não tem palhaço e os caras vão bater o pé.

Então a solução é a de sempre: Soca no povão brasileiro que ele aguenta caladinho. Se tá pagando nove no sufoco, pode pagar 7 na bonança né.

Então meus conterrâneos esse governo não está "nos tirando" ele está Pondo, como sempre pôs.

Dr Helton Fesan.

ONDE ESTÁ SUA CORAGEM?

Nós somos um povo aleijado?

Nossa alma está doente?

Viciados em receber migalhas de alguém que julgamos estar acima de nós.

Deus fez todos os homens iguais, mas alguns decidiram ficar menores que os outros.

Deixaram de ser homens.
Tornaram-se bichinhos de estimação, prontos pra lamber a mão de quem lhe joga um osso seco.

Queremos que alguém nos alimente, que lute por nós, que diga o que devemos fazer...

Um país de jaguaras...

Que eu esteja errado.

Tomara que ainda haja Brio no coração desse povo.

Que não estejam tão viciados em esmolar, sentados curvados que acabaram por ficar aleijados de verdade.

Neste momento politicos ladrões comentam entre si:
"Pode apertar que eles aguentam. Pode bater que eles aguentam. Pode cuspir, socar, humilhar que eles aguentam.

O brasileiro é jumento de lombo duro. Foi feito pra aguentar e aguenta. Depois acaricia a nuca que ele acalma feito cadelinha mansa."

Que eu esteja errado.

Que ainda tenha sobrado aquele pouco de valentia bandeirante de quem abriu a mata no peito, de negro cativo que quebrou corrente, de indio que pintou o rosto e sangrou a flecha.

Que tenha sobrado Brio de quem não foge à luta.

Que o tal do braço forte não seja profanado e usado para esmolar o pão e a decência.

Acorde pelo amor de Deus.

SEJA HOMEM como gritava seus pais.

LEVANTA BRASILEIRO.

*Dr Helton Fesan*

quinta-feira, 12 de abril de 2018

A Justiça é um Sistema Único



A Justiça é um Sistema Único

A Justiça é um Sistema Único e deve agir como tal.

Jurisdicionado é todo aquele que está sob jurisdição, ou seja, sendo julgado. Entendo que, se pensarmos de maneira mais filosófica e ampla, todos somos jurisdicionados, pois, a cada julgamento a sociedade inteira está sendo julgada em conjunto.

Pelas decisões do Poder Judiciário julgamos se estamos avançando como sociedade.
Se somos igualitários, se somos legalistas, se somos éticos, imparciais...

Também temos uma idéia do tipo de frutos que estamos gerando. Estudiosos, cientistas, artistas, ou se nossa sociedade produz marginais e marginalizados.

A sociedade não divide o poder judiciário em primeira, segunda, terceira instância.

Pra ela (e na verdade ela está correta) TJ, STJ, STF, TRF 1 2 3 4, são letrinhas que correspondem a um mesmo sistema, a saber, O JUDICIÁRIO.

Daí surge o Instituto da Segurança Jurídica.

Pensamos que O TODO do Judiciário, vai agir de forma coerente ao promover a desejada Justiça.

Porém, não é o que está ocorrendo.

Sem entrar no mérito de culpa de qualquer lado, para a sociedade como um todo, isto inclui os técnicos que atuam no judiciário, causa perplexidade a proteção jurisdicional que recebem os políticos de Direita.

É vergonhoso, causa ânsia e desgosto. Cheira a podre.

Daí não há argumento que defenda o sistema.

Nada contra Aécio. Nada contra Alckmin.

Não há como negar que o julgamento do outro acusado de Esquerda, tenha teor político.

NÃO ESTOU FAZENDO JUÍZO DE CULPABILIDADE OU INOCÊNCIA.

Mas o tratamento diferenciado do judiciário me remete à Teoria da Árvore Envenenada (Fruits of the poisonous tree).

Se a árvore está envenenada, podre, todos os seus frutos também estão.

O tratamento privilegiado que o sistema judiciário está dando aos Tucanos, contamina o processo rígido que dispende aos Petistas.

Assim, a falta de processo contra um, anula o processo contra o outro.

A análise é estendida e aplicada contra o sistema completo. Isto é possível, ao meu ver, por se tratar o Judiciário, enquanto poder, de um Sistema Único.

Dr Helton Fesan, tentando entender o Brasil a partir de suas leis.

#boraprapista

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Como se convence um Juiz?


por Dr Helton Fesan.

Existe um princípio chamado "Livre Convencimento do Juízo"

Significa que ele decide segundo suas convicções.

Lembremos que o juiz (a) é um ser humano comum (assiste futebol, chora com novela, acha fofo o cachorrinho da internet, joga video game, tem sogra, ciúmes do marido...)

Não é um ser de outro planeta.

Quando perguntamos se uma pessoa é culpada ou não, o conjunto de provas que se apresentam será analisado conforme as convicções pessoais do juiz.

Nestas convicções pesará principalmente sua formação jurídica e sua vivência no judiciário, ou seja, ele aplicará o entendimento das leis que estudou durante toda a vida profissional e acadêmica e caminhará conforme o proceder do meio em que foi forjado, qual seja, o judiciário.

Assim é em todas as profissões. Engenheiros tendem a pensar como engenheiros, médicos como médicos e artistas como artistas.

Atualmente o judiciário segue uma tendência punitiva. Com altos índices de violência e criminalidade a resposta do judiciário fica mais dura, mais punitiva, ou seja, o conjunto de indícios provocam o entendimento mais voltado para a culpabilidade, isto porque, se no dia a dia o crime é a regra, os indícios irão confirmar a regra.
Se temos um crime incomum ou raro, a regra se inverte, ou seja, precisamos de mais indícios e provas para condenar, pois, a regra é que não seja crime, pois incomum.
Em suma, quanto maior a incidência de um crime, menor a necessidade de indícios para confirmá-lo.

Para o bem e para o mal, esta é a base do convencimento de culpa no judiciário.

*Dr Helton Fesan*