
Breve histórico da peça.
Em 2006 os alunos do EDUCAFRO – Núcleo Esmeralda de Santo André, receberam a incumbência de dramatizar o tema do negro no Brasil.
Tentando fugir das “mesmices” saíram a procura de textos que falavam da temática. Depois de passarem por Abdias do Nascimento e Solano Trindade, depararam-se com a série Cadernos Negros. Entre os Autores da antologia havia o nome de Helton Fesan morador de Santo André e professor voluntário do Educafro.
Daí foram poucos passos para o contado com a peça “Acorda Valdeci”, obra do autor que tentava desvendar os mistérios da Consciência Negra através de sua militância.
O grupo de trinta alunos formaram o grupo TEAFRO e conseguiu o apoio do Diretor, ator e músico Marco Xavier, que dirigiu a peça.
Com o apoio da CAAD (comissão do Advogados pela Afro Descendência – OAB Santo André) a peça teve duas apresentações e datas marcantes para o movimento negro, 13 de maio e 25 de novembro de 2007 (referente as comemorações de 20 de novembro, morte de Zumbi dos Palmares), ambas no Teatro Municipal de Santo André.
ACORDA VALDECI,
ACORDA!
HELTON FESAN
advogado, dramaturgo e escritor
Prólogo
Militantes de todos os movimentos possíveis transitam pelo palco, cada um defendendo sua bandeira de maneira individual.
Em dado momento começam a reunir no meio do palco e mirar a platéia, unem-se no mesmo movimento, separam-se e saem de cena.
Prólogo 2
Entram os personagens e bailam, estão em festa. Dançam, conversam até que todos saem de cena ficando um último casal que discutem até sumirem na penumbra.
Cena 1
Narrador - Zumbi está sozinho, no meio do nada, onde tudo se encontra. O espaço entre o invisível e o visível, a dor e o riso, nem morto nem vivo. Vaga a meio caminho do além mar, longe de recife, longe de guiné, mas eternamente dentro de Palmares, está cansado em meio à escuridão e lamenta com Oxalá.
Em dado momento começam a reunir no meio do palco e mirar a platéia, unem-se no mesmo movimento, separam-se e saem de cena.
Prólogo 2
Entram os personagens e bailam, estão em festa. Dançam, conversam até que todos saem de cena ficando um último casal que discutem até sumirem na penumbra.
Cena 1
Narrador - Zumbi está sozinho, no meio do nada, onde tudo se encontra. O espaço entre o invisível e o visível, a dor e o riso, nem morto nem vivo. Vaga a meio caminho do além mar, longe de recife, longe de guiné, mas eternamente dentro de Palmares, está cansado em meio à escuridão e lamenta com Oxalá.
Zumbi (desespero) - Por que estou sozinho? Que sono é este que me toma? Onde está meu povo? Onde estão meus filhos?
(trovões)
Zumbi (discórdia) – E deles? O que será meu pai? E deles...? Que fim terá o Império Palmarino?
(trovões)
Zumbi - E os nossos, que luz os guiará? Acabaram com esse quilombo, acham que vão emudecer o povo. Mas não, o negro é forte, muito forte! Não morri, se fossem contar o número de zumbis que mataram em seus documentos, Daria para formar outra África. Há, há, há, África, outra África, há, há, há...África, África...Áfricaaaaa!
(trovões)
Zumbi tapa os ouvidos, pra se proteger da irá de Oxalá
Zumbi - A luta é minha vida, continuarei a lutar pela liberdade até o fim, se existe maneira de voltar, que eu volte! Que eu esteja lá junto ao povo! Sou guerreiro, não sei ser outra coisa, sou guerreiro! Deixe que eu volte!
(trovão junto com fala de Zumbi)
Zumbi - Fiz o que tinha que ser feito, como rei do quilombo. Não entregaria nenhum dos nossos, um sequer, eu não entregaria! o Quilombo dos Palmares nasceu para ser livre, para ser soberano!
Cessam os trovões.
Ganga-Zumba entra em cena procurando Zumbi, mas não consegue vê-lo. Estão cegos um para o outro. Apenas se ouvem e se procuram, mesmo estando próximos não conseguem se ver.
Ganga-Zumba - Zumbiiii! Zumbiii! O que fizestes? Onde está Palmares?
Zumbi - Quem tá aí? Ganga?
Ganga-Zumba – Eu Zumbi, sou eu!
Zumbi - O que faz aqui? Volta para o Mocambo! Palmares não se curva e não esconde a face daqueles que lhe procuram. Não confia neles Ganga, não confia! Nem branco nem preto, conhece a paz! É preciso desconfiar de tudo!
Ganga - Zumba - Eu luto por Palmares, Zumbi! Eu luto por Palmares! A vida não é só sangue. A vida não é só fugir, é hora de firmar raiz. O povo tá cansado! Tenho medo de nosso ódio, que serve como remédio na hora da luta, mas volta pra casa com o guerreiro e mata os raros momentos de paz.
“Todo preto, como eu, só qué um pedaço de terra só seu, frutas nos cachos, nadar no riacho! Zumbi, é o que eu acho!” ( trecho baseado na música Vida loka parte I, do grupo racionais Mc’s)
Zumbi - Ganga...É o que eu quero também, mas a que preço? Eu não nasci com ódio Ganga, eu, como todo mundo, fui criança. Mas o amor conheceu a dor e a dor me mostrou o ódio. NÃO ACREDITA EM FLORES!
Ambos saem de cena gritando o nome um do outro e se procurando.
(trovões)
Zumbi (discórdia) – E deles? O que será meu pai? E deles...? Que fim terá o Império Palmarino?
(trovões)
Zumbi - E os nossos, que luz os guiará? Acabaram com esse quilombo, acham que vão emudecer o povo. Mas não, o negro é forte, muito forte! Não morri, se fossem contar o número de zumbis que mataram em seus documentos, Daria para formar outra África. Há, há, há, África, outra África, há, há, há...África, África...Áfricaaaaa!
(trovões)
Zumbi tapa os ouvidos, pra se proteger da irá de Oxalá
Zumbi - A luta é minha vida, continuarei a lutar pela liberdade até o fim, se existe maneira de voltar, que eu volte! Que eu esteja lá junto ao povo! Sou guerreiro, não sei ser outra coisa, sou guerreiro! Deixe que eu volte!
(trovão junto com fala de Zumbi)
Zumbi - Fiz o que tinha que ser feito, como rei do quilombo. Não entregaria nenhum dos nossos, um sequer, eu não entregaria! o Quilombo dos Palmares nasceu para ser livre, para ser soberano!
Cessam os trovões.
Ganga-Zumba entra em cena procurando Zumbi, mas não consegue vê-lo. Estão cegos um para o outro. Apenas se ouvem e se procuram, mesmo estando próximos não conseguem se ver.
Ganga-Zumba - Zumbiiii! Zumbiii! O que fizestes? Onde está Palmares?
Zumbi - Quem tá aí? Ganga?
Ganga-Zumba – Eu Zumbi, sou eu!
Zumbi - O que faz aqui? Volta para o Mocambo! Palmares não se curva e não esconde a face daqueles que lhe procuram. Não confia neles Ganga, não confia! Nem branco nem preto, conhece a paz! É preciso desconfiar de tudo!
Ganga - Zumba - Eu luto por Palmares, Zumbi! Eu luto por Palmares! A vida não é só sangue. A vida não é só fugir, é hora de firmar raiz. O povo tá cansado! Tenho medo de nosso ódio, que serve como remédio na hora da luta, mas volta pra casa com o guerreiro e mata os raros momentos de paz.
“Todo preto, como eu, só qué um pedaço de terra só seu, frutas nos cachos, nadar no riacho! Zumbi, é o que eu acho!” ( trecho baseado na música Vida loka parte I, do grupo racionais Mc’s)
Zumbi - Ganga...É o que eu quero também, mas a que preço? Eu não nasci com ódio Ganga, eu, como todo mundo, fui criança. Mas o amor conheceu a dor e a dor me mostrou o ódio. NÃO ACREDITA EM FLORES!
Ambos saem de cena gritando o nome um do outro e se procurando.
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